Vendo o artigo de uma médica do ramo (veja que é do ramo, e não da carne ou massa), onde ela dizia entre outras coisas que se vc comer x calorias, menos y de gasto calórico + 127,5 de cal / bônus, ainda teria direito 1 vez por mês a 69 cal porque tinha deixado de ingerir x cal no inicio do período..... e como essa fixação gastro/matemática era um coisa que me incomodava já a algum tempo, passando-me a sensação de que tinha uma calculadora depois do esôfago, resolvi postar um trecho do artigo da psicanalista LUCIANA SADDI, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.
"Nas últimas décadas percebemos uma séria perturbação da relação do homem com a comida, advinda da regulação científica, dos ideais de beleza, da produção industrial e do bombardeamento da informação.
As pessoas parecem assustadas, contam calorias, falam sobre a natureza perigosa dos alimentos e não sabem o que têm vontade de comer. Comem por recomendação “científica” ou pela dieta da moda. Algumas engolem a comida rapidamente, outras nunca estão satisfeitas, pois trocaram o bife que desejavam por um enorme prato de alface. A comida engorda e mata. A fome deve ser negada e censurada.
O comer não é mais guiado por um estímulo interno chamado fome e não se escolhe livremente a comida. Deve-se comer de três em três horas ou deve-se comer x ou y a cada tantos minutos - teorias não faltam. Enquanto isso, o sinal de saciedade se perdeu. Ou comemos até sentir dor ou saímos da mesa com fome. A proibição de comer certos alimentos faz com que nos pareçamos com condenados à morte, que têm o direito de se esbaldarem com a última refeição. A privação real de prazer, de caloria e a privação fantasiada advinda das dietas e dos alimentos proibidos aumentam a compulsão. O círculo vicioso formado por desejo, proibição e punição se repete, pois a moralidade migrou do sexo para a comida."
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